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Como começou?
A Associação Habitat para a Humanidade Brasil iniciou suas atividades em 1992 trabalhando com famílias de baixo poder aquisitivo em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Entretanto, a partir de julho de 2005, seu escritório nacional foi transferido para a região nordeste do Brasil, no estado de Pernambuco. Esta foi uma decisão estratégica visando atender à demanda da região, onde o déficit habitacional é o maior do Brasil. Atualmente a HPH Brasil atua em mais de 20 cidades em nove estados brasileiros: Ceará, Goiás, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins, atendendo quase 3.000 famílias.
O programa atende a famílias com renda mensal de até três salários mínimos, que são selecionadas por um comitê local com base nos seguintes critérios: necessidade de moradia, capacidade de pagamento, disponibilidade para trabalhar na construção da sua casa e para participar de cursos de capacitação.
A chave do êxito do programa de HPH na construção de casas é a colaboração da comunidade. Isto reduz os custos e aumenta a produtividade, o compromisso e o envolvimento da comunidade e dos parceiros. A construção de uma casa pode contar com a participação de diferentes membros da comunidade: empresas socialmente responsáveis ou que tenham programas de voluntariado corporativo, Governo, estabelecimentos locais, igrejas, escolas, outras organizações não governamentais, voluntários e os futuros donos das casas.
As casas
Até hoje Habitat para a Humanidade Brasil já providenciou 2.962 soluções habitacionais. Multiplicando-se este número por 5 membros em cada casa, que é a realidade brasileira, já ajudamos a 14.800 pessoas a terem um lar digno para viver.
O modelo da casa, que pode ter entre 48m² a 57m², é definido em conjunto com as famílias parceiras, sempre respeitando a meta de construir uma moradia simples, digna e de baixo custo. Em muitas regiões, as casas são construídas usando o método mais comum na área, seja com cimento, areia, tijolo e vergalhões de aço.
Os custos destas casas variam de US$ 6000 até US$ 7500 incluindo investimentos em acompanhamento social. O valor mensal das prestações varia de US$ 20 até US$ 70 e o empréstimo pode ser pago em até 72 meses. Além disso, podem ser oferecidos financiamentos para reformas e ampliações, mas os projetos necessitam ser previamente aprovados.
Necessidades Habitacionais
As estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2000, demonstram que no Brasil existe um déficit habitacional de quase 6.660.000 casas, com uma concentração principalmente urbana que contém 81,3% deste déficit, isto é, mais de dois terços do déficit habitacional brasileiro está concentrado nas áreas urbanas e menos de um terço nas áreas rurais. A maior necessidade existe nas regiões nordeste e sudeste. Nas grandes cidades as condições são piores, causando deterioração e aumento da aglomeração urbana.
Calcula-se que mais de 50 milhões de perssoas vivem em condições inadequadas. A maioria dessas famílias tem rendimentos inferiores a três salários mínimos (um salário mínimo = R$ 350 = $USD 150).
Nos anos 90, a responsabilidade de reduzir o déficit habitacional começou a ser vista como uma responsabilidade não somente do Governo. Segundo a Fundação João Pinheiro, no período de 1964 a 1986, aproximadamente 27% das casas construídas receberam algum tipo de financiamento habitacional; como resultado experimentou-se uma grande redução deste índice no ano 2000 (apenas 11%). A maior parte do trabalho de redução do déficit habitacional é realizada pela população através de diversas iniciativas individuais ou coletivas, das quais se destaca a construção pelos próprios donos das casas com um sistema de ajuda mútua (mutirão).
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