Seminário Internacional de Produção Social do Habitat
O
Seminário Internacional “Produção Social do Habitat – Estratégias Organizativas
para a Eliminação da Moradia Inadequada no Contexto da América Latina” reuniu, de 21 a 24 de novembro, cerca de 250
representantes dos setores público, privado, comunitário e não-governamental
que atuam no continente, para debater alternativas de apoio às iniciativas de
comunidades no sentido de assegurar o direito humano à moradia e a um habitat
digno.
Uma iniciativa de Habitat para a Humanidad Brasil (HPH Brasil), o seminário foi
realizado em
parceria com Habitat Nações Unidas (UN-Habitat), Habitat
International Coalition – América Latina (HIC-AL), Centro Cooperativo Sueco
(CCS), Fórum Nacional pela Reforma Urbana – Brasil (FNRU) e Habitat para
a Humanidad – Latinoamérica y Caribe (HPH-LAC).
Na conferência de abertura, a professora Ermínia Maricato, da Universidade de
São Paulo, abordou o contexto internacional das políticas sociais e
econômicas nacionais e seus impactos no desenvolvimento urbano e na questão da
moradia no âmbito da América Latina. Nos três dias seguintes, foi definido um
tema central que se desenvolveu a partir de conferências temáticas, seguidas de
debates pela manhã e mesas redondas à tarde.
No primeiro dia, foram discutidos os aspectos conceituais da Produção Social do
Habitat (PSH) e o acesso à moradia como um direito fundamental do cidadão. A
conferência temática foi ministrada por Lorena Zárate, coordenadora do HIC, com
mesa formada por Erik
Vittrup, representante de UN-Habitat; Gabriel Ramírez, do
Centro Operacional de Vivienda y Poblamiento (México); Ubiratan Félix, do FNRU
(Brasil); e Martha Arébalo, do CCS.
No dia seguinte, foram analisadas as políticas públicas de desenvolvimento
urbano e moradia e seus mecanismos de implementação e financiamento, e
discutidos os aspectos da incidência política e da defesa da causa. A
conferência temática ficou a cargo do professor Rubén Sepúlveda, diretor do
Instituto de la Vivienda (INVI), da Universidade do Chile. O debate sobre o
tema ficou a cargo de Inês Magalhães, secretária Nacional de Habitação do
Ministério das Cidades do Brasil; Raúl Fernández Wagner, professor da
Universidade Nacional de General Sarmiento da Argentina; Márcia Krumer,
diretora de Desenvolvimento Urbano da Caixa Econômica Federal do Brasil; e
Benedito Barbosa, da Central de Movimentos Populares e da União Nacional de
Movimentos Populares do Brasil.
O terceiro dia de trabalho foi dedicado a questões referentes à mobilização
social e participação popular na perspectiva dos protagonistas, a partir da
conferência proferida por Gustavo González, do CCS e da Federação Uruguaia de
Cooperativas de Moradia e Ajuda Mútua (FUCVAN). Gorete Fernandes, da Confederação
Nacional de Associações de Moradores (CONAM), do Brasil; Orlando Santos Júnior,
do FNRU e da Federação de Organismos para Assistência Social e
Educacional (FASE), do Brasil; e Maureen Santos, da Rede Brasileira para
a Integração dos Povos (REBRIP) foram os debatedores.
Ao final do evento, representantes de instituições e movimentos sociais
presentes reafirmaram seu compromisso com a causa da moradia digna referendando
a “Declaração de São Paulo”. A carta destaca o protagonismo dos
habitantes como eixo essencial das decisões e ações que configuram seu habitat;
o estabelecimento de um espaço regional de debate e intercâmbio de iniciativas
e lições das próprias experiências e propostas de ação; a reafirmação do
compromisso de contribuir para eliminar as barreiras que impedem o acesso à
moradia digna a grande parte da população da América Latina e, também, a
necessidade de fortalecer os espaços de intercâmbio e redes latino-americanas
que promovem a organização popular na PSH, a partir da perspectiva do direito à
moradia e à cidade, como parte integrante dos Direitos Humanos.